segunda-feira, 28 de junho de 2010

Às nove no meu blogue - II

"Normalmente arrependemo-nos de tudo aquilo que não fizemos, de todos os passos que não demos, de ter cedido aos medos que nos travaram um dia, um momento e, às vezes, uma vida."


Aqui por Miss Glitering.


E assim acontece um sorriso ao ler estas palavras porque me poupam, ao dizerem tudo o que eu penso. E evitam que eu tenha que escrever um texto enorme (não sei escrever pequenino), e cair na redundância de repetir o que tantas vezes já foi dito.


quarta-feira, 23 de junho de 2010

.59

Existem dias diferentes. Por serem distantes em si. Por serem doridos. Por não conseguir controlar a vontade de me atirar para a cama e dormir. Hoje tive de dormir 40 minutos. Depois do almoço. Porque queria enterrar-me. às vezes, acontece-me isto. Fechar os olhos é também desaparecer. é não pensar. é não controlar. é deixarmos-nos ficar nos minutos em que estamos longe do mundo. eu gosto de, por vezes, ausentar-me do mundo. sair das pessoas. sem deixar marcas. quantas vezes desejei apagar-me e não ser memória. e depois lembro-me que a inconstância dos dias vêm da minha própria turbulência. desta confusão que se amontoa no meu pensamento.

esta semana não estou a trabalhar. e que bom é. é mesmo muito bom. não ter de lidar com pessoas. passo o dia inteiro sozinha. e gosto. entre o estudo e o parar para observar, não me resta tempo para mais nada. às vezes, stresso e vou fumar. às vezes, irrito-me com a ausência de vozes e oiço música. às vezes, fico tão saturada que vou dar uma volta ao quarteirão. livros na mala. coração desarranjado. calças rotas. esta também sou eu . se bem, que já não consigo sair de casa sem os olhos pintados. um risco preto unicamente. não tenho olhos para mais. oiço a minha mãe dizer isto desde que comecei a querer imita-la com as pinturas.

portanto, o dia hoje foi um tormento. as horas demoram a passar. li as cem páginas que faltavam entre muitos bocejos. tive um jantar cá em casa em que descontraí. mas um peso anda a incomodar-me desde hoje. e não sei o que é. não consigo identificá-lo. que irritação. mas depois, tenho uma amiga minha que me diz: já foste ao meu blogue hoje?

E eu não, não tinha ido. e fui logo a seguir que o raio da curiosidade é coisa que não me deixa descansada.

fui e dei de caras com isto:

"Também queres um post? Mas isto é assim de encomenda?...
Bem, minha querida C., o que dizer sobre ti? A alegria da festa? A menina dos filmes? O furacão? O trovão? A tempestade?

Nada disso. Sim, também és isso tudo por vezes (muitas vezes vá), mas és muito mais do que isso.
És alguém (isto é tão mas tão lamechas que te vou bater a seguir), que está lá quando é preciso. Alguém que me telefona simplesmente para saber como é que eu estou ou como me correu o dia.

Apareceste na minha vida de repente e sem eu dar por nada entraste e instalaste-te confortavelmente. Invadiste o meu dia-a-dia como se fosses uma praga (boa claro).
Confesso que apanhaste-me desprevenida e nem tive muito tempo para pensar no futuro da nossa amizade, o que não é de todo comum em mim. Sempre "escolhi" os meus amigos a dedo. Mas tu escolheste-me e desde o início (quando ainda andávamos a descobrir outras coisas também elas boas) disseste que podíamos ser amigas. Na altura eu pensava para mim: "Epa tem lá calma contigo porque, apesar de saberes da minha existência desde criança, no fundo não me conheces". Mas admirei as tuas certezas e a tua assertividade e lá fui eu.

É claro que não é preciso dizer-te como é bom o facto de teres entrado na minha vida e o quanto ela mudou com isso. Soltei-me mais, limpei preconceitos e inseguranças e inspirei-me em ti.

Sim, és completamente maluca e alucinada, mas admiro a tua força e a tua coragem. Gosto do facto de seres tão transparente (pelo menos para mim). E mais, para mim, uma amizade como a tua, é daquelas que não se fazem todos os dias e que eu quero e vou sempre tentar preservar.

Queria agradecer-te por também teres aberto as tuas portas mesmo sem saberes bem quem ia entrar. Por confiares em mim e pelo carinho (ainda que tu não sejas pessoa de mimos) que me dás.

Obrigada minha querida* Amo-te muito *"

E de repente, os sorrisos em fila indiana. Não consigo resistir em contar, dois coisas engraçadas, sobre nós. Em bébés (disse-te a tua mãe) tu fugias de mim. Na preparatória fomos da mesma turma. Tinhas medo de mim. No secundário fomos da mesma turma e não falavamos. Anos depois, reencontramos-nos no arraial. Olhamos e fizemos aquele ar, de ah que giro estás por cá. surgiu um olá tímido. Em Agosto de 2009, reencontramos-nos e olha lá para nós agora. Quem diria, hein? quem, quem? Depois de um mês fulminante em que eu dei cabo da tua energia, fizemos-nos amigas. Eu bem que te disse que seríamos as novas melhores amigas. Eu e as minhas certezas. A R. (a minha, não a nossa), disse-me domingo que detestava pessoas com mania. E eu perguntei-lhe se ela me detestava. Resposta: Tu não tens manias, tu tens certezas. Portanto, a certeza relativamente à nossa amizade, estava correcta.

Já não sei estar sem ti. Sem as chamadas diárias. Sem o corropio para te contar as novidades. Ou ir ter a tua casa, para pedir-te mimo. Para além de me teres trazido a ti, trouxeste-me o novo grupinho, que já considero meu também. Somos todas umas relíquias (ai a pirosice, enfim, menor do que a forma como terminas o teu post). Para não repetir a graça, que sei que fizeste propositadamente, digo-te que gosto tanto tanto de ti.

P.s. Já que hoje novamente me disseram que eramos idênticas, podemos oficialmente considerarmos-nos manas :)

domingo, 20 de junho de 2010

.58

Existem noites que servem de despertador. Do género “wake up you fool!”. Pois é. A noite passada teve esse efeito. Dar de caras com o passado tem muito que se lhe diga. Reconhecer o passado pelas costas, tem mais ainda. O resultado foi pacífico. Sempre me questionei como seria dar de caras/costas com a pessoa que me fodeu o coração. Uma das hipóteses seria a indiferença. Outra o pânico. Na minha mente existiam apenas estas duas. Ontem aconteceu exactamente isso. Primeiro o pânico. Depois a indiferença selada com um sorriso. Quando os meus olhos se fixaram nos olhos da mulher que me fodeu o coração, eu sorri. Ela também. E assim foi o fechar de uma porta. Eu explico. O verdadeiro fechar de uma porta só se faz depois de revermos tempo mais tarde uma pessoa, e conseguirmos não sentir nada (emocionalmente escrevendo). Não vivenciar nada. Simplesmente, aceitar o que aconteceu. Eu não a perdoei. Não. Também não esqueci. Mas vê-la foi-me indiferente. Não estremeci. Isso, no hoje, deixa-me sossegada. E bem comigo própria.

O problema na verdade foi outro. Mais grave. Mais frustrante e revoltante. Foi tomar consciência que um ano após aquela situação, ou seja, o meu coração ter sido fodido (convém ressalvar muitas vezes esta parte, para que se saiba que não sou sempre eu que fodo os coração alheios), estou exactamente no mesmo ponto. Claramente no mesmo ponto. A casa nos ombros. O peso no peito. A batalha sem resultados à vista. A pressão. De ser forte. De não cair. De esperar. De ser e estar garantida no esperar. De não falhar. Basicamente, eu tenho de ser perfeita neste esperar. Não sou. Temos pena. Não sou e faço questão de não o ser. Porque rejeito todas as formas de perfeição (tive esta ideia há dias). Quando tomei consciência deste facto. A repetição. Que me caça ano após ano. (é karma. Continuo a achar que é karma) resolvi beber mais. Portanto, fiquei bebeda. Consciente mas bebeda. Não fiz nada de errado. Portei-me lindamente. Só olhei. E observei. Eu sou uma autêntica voyeur. Gosto de observar. Não me canso. Até quando danço de olhos fechados, estou a observar. E foi uma grande noite. Uma noite de tomada de consciência (meninas, é um vício sair convosco. O quanto de bem vocês me fazem).

O dia de hoje foi uma tristeza. Safou-me o gurosan tomado logo de manhã. O estudo não se fez. Incumbi duas amigas minhas de me mimarem. Porque precisava. E soube bem. Continua a saber. O estudo será realizado noite fora. Com a cabeça mais vazia e limpa. Com a certeza que o meu rumo irá mudar a partir de hoje. Porque cansei-me. Porque mais uma vez, agi em prejuízo de mim. A espera foi feita em prejuízo de mim. Novamente neste ano. E não posso. Não se atira um coração ressuscitado, novamente para uma situação em que ele pode ser irrevesivelmente fracturado. Não se faz isso. A não ser que estejamos preparadas para essa situação. E eu não estou. Garantidamente que não estou. Não quero mais escombros na minha vida. Não quero acordar amanhã com a certeza que fui eu que me coloquei numa situação passível de me aniquilar. Não posso. Não irei carregar mais o peso dos outros. Ou compactuar com a inércia dos gestos e das decisões. Não quando eu sempre fui capaz de tomar as decisões, de agir. De ir em frente. De ter a coragem e a audácia de me permitir viver a vida. Nem sempre com as certezas necessárias. Nem sempre em consciência comigo própria. Nem sempre com as melhores e mais coerentes decisões. Mas agi. Porque em certas e determinadas alturas, é isso que é preciso, agir por nossa conta e risco.

Portanto hoje. A decisão foi tomada. Com a certeza que é a melhor. Hoje deixo de esperar mais um dia que seja. Hoje assumo-me, mais uma vez, como titã da minha vida e do meu percurso. Chega.


(Como te disse há pouco, não quero mais esperas, mais incertezas, mais desentendimentos. Não quero isto para mim. Não quero. Se um dia fores capaz, faz-me saber. Até lá, eu liberto-me de ti. Porque é isto que tu foste incapaz de fazer durante toda a tua vida. Escolheres e decidires por ti. Colocares-te em primeiro lugar. Perceberes que só em ti está a decisão de construires a tua felicidade. Muitas vezes, contra aqueles que se convencem (porque tu permites) saberem o que é o melhor para ti. A responsabilidade de todos os nossos passos só a nós cabe. E os resultados, bons ou maus, só a nós serão imputados. É isto que é viver, minha muito querida. É isto, que deveria ser a tua prioridade. Estando eu ou não no teu caminho. É isto, que tu terás de perceber. Por ti. E não pelas minhas palavras. Se tu te visses como eu te vejo, estarias agora à minha frente. Não estás. E é isto que tenho de saber aceitar. )

quinta-feira, 17 de junho de 2010

às nove no meu blogue - I

Uff. Que já não me sinto tão allien. Amém.


"Pára tudo imediatamente! Pessoas, deixem de fazer o que estão a fazer e ajudem-me a perceber que eu ainda estou azamboada. Então querem lá ver que eu sou a única alien a achar que lá porque uma pessoa está apaixonada, tem namorado, a coisa até é séria, mas pode (e deve) continuar a sair com os amigos, a ter vida social e identidade própria, sou? É que algumas pessoas não acham. Acham que quando se tem namorado deve-se viver só para ele e com ele. Saídas com amigas ou um jantar de colegas, nem pensar, ele tem de ir atrás ou nós não vamos. Hã? Que é isto? Então quer-se dizer: antes de ele existir na minha vida, eu vivia de uma forma, tinha os meus amigos, saía com os meus amigos e os meus amigos faziam parte das minhas rotinas, das minhas alegrias e, no fundo, da minha vida. Agora, quando passamos a viver no reinado de Dom Namorado, a Pessoa (Eu) passa a viver uma outra vida e a que tinha já não tem sentido? Isto é que não me faz sentido nenhum! Já agora "rauf-rauf", não?

Quatro palavrinhas: E-qui-lí-brio. Já ouviram falar? Mais estas: bom-senso, ring's a bell?


Eu juro que não entendo porque é que há tantas pessoas a pensaram desta maneira, a acharem que o mais correcto do mundo é quando têm namorado passarem a viver em função dele e deixarem de fazer as coisas que antes gostavam, que antes lhes dava prazer. Acho que é muito saudável equilibrar os dois mundos, estar com o namorado, namorar, sair com ele, com os amigos dele, com os nossos amigos, com os amigos que passam a ser comuns, mas também ter espaço e liberdade para poder jantar com as amigas, para poder fazer coisas sozinha e para poder continuar a ser uma pessoa normal, com identidade e vontade próprias. (...)"


Retirado daqui

segunda-feira, 14 de junho de 2010

.57

São 23h37 da noite. Estou a preparar uma reclamação de créditos cujo prazo limite de entrega termina amanhã. Devia estar a estudar Processo Civil. Não estou. Depois de terminar isto, vou colocar o direito de lado. Dia 30 terei um exame escrito que começará de manhã e acabará ao final do dia. É o penúltimo passo para finalizar um estágio que no final do ano fará 3 anos. Três longos anos. De dedicação, noites mal dormidas, olheiras, horas e horas de muito trabalho. Contacto com pessoas. Testemunho de situações complicadas, muitas que deram vontade de rir, outras de chorar. É isto que é a advocacia. É ter nas mãos um pedaço da vida das pessoas. Pessoas como eu. Como tantas outras. Sim. É ter de descobrir a solução para que certa situação leve a um determinado caminho. É lutar pelos outros. E por vezes, esquecer-nos de nós. Nestes últimos três anos, foi fácil esquecer-me de mim. Foi fácil entupir-me de trabalho. Foi fácil preocupar-me com os outros. Difícil seria concentrar-me em mim. acho que me cansei do meu egocentrismo. E noutros dias tantos, cansei-me de mim. não que de repente me ache menos fantástica. Mas vejo que nos presentes vinte e seis anos, já não tenho tanta força, paciência, garra. Já não quero saber. E no entanto, continuo com a cabeça cheia de coisas. Sou sinónimo de desorganização. Hoje olhei para a minha secretária e perdi-me. Folhas, livros, lápis, post its. Processos e mais processos. Hoje assustei-me e deixei-me ficar sentada na cadeira durante minutos. Hoje. Este dia que perto está de acabar não foi um bom dia. Não, não foi. Esta é uma época instável. Poderia ser um época bonita. Mas a cada dia que passa, lembro-me como estou cansada. Farta. Desiludida. E sem saber lutar mais. Não sei onde estão as forças de outrora. Não sei. Nestes dias perco-me. E sou menos eu. Tão menos eu. Detenho-me sorridente por minutos. Ou por algumas horas. Sim, sorrio. Ainda consigo sorrir. Dizem que tenho vários sorrisos. Talvez tenha. Sim. Sou uma face de sorrisos. Mas este peso. Esta responsabilidade. Estes meses de tumulto. Estão a deixar-me fragilizada. Frágil. Mas ainda não de porcelana. Não. Isso nunca irá acontecer. Ou pelo menos, jamais o irei admitir. Talvez seja mais por aí.

Não sei quanto mais tempo saberei esperar. E se tu me ouvisses. Se tu me escutasses. Tu saberias o quanto isto tem de verdade. E farias o que é esperado. Desejado. E repetido vezes sem conta. No hoje, o adiar já não tem justificação.

Lamento.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

.56

quando eu era pequenina lia os livros madrugada fora. sem velas. mas com a luz de um candeeiro muito feio. era feio e eu adorava-o. hoje não sei se ainda está em casa dos papás. mas era feio e ao mesmo tempo luz sobre as palavras que eu bebia. as palavras e eu. e eu e as palavras. é uma história de amor sem tempo sem limites sem nada de extraordinário. eu conheci-as aos 13 anos e depois viciei-me. ainda estou viciada. mas já quase não leio. ou leio mas não respiro. é diferente ler e respirar. quando é simultâneo é bonito. mais denso. mais complicado. mas agora não. não há tempo para respirar palavras. só as ler. e leio. às vezes, pego num livro e vou para a minha janela. fumo e leio e vejo a lua. só isso. e gosto muito. mas não chega. porque nada me chega a não ser que me preencha. e eu não tenho o tempo que queria para ser preenchida. por alguém. pelos livros. não. os livros estão na estante que não é minha mas foi reservada para eles. e no meio tenho os livros de direito, de culinária e dvds. e velas do ikea. depois recordo-me que já não uso velas. nem candeeiro. só a luz do tecto. enfim. é mais triste, creio. mas volto a dizer que o tempo que preciso para respirar não existe. quando deixou de existir? há muito tempo. no entanto, continuo a comprá-los. e a adorá-los. e a cheirá-los. e um dia sei que vou pegar neles todos e vou ler sem parar. e vou sentir-me bem. porque é disto que eu preciso. de sentir-me bem com os pequenos instantes que a vida me lança nos braços. ou nos dedos. ou na boca. ou pelo corpo inteiro. é. para saber apreciar a vida, por vezes, só é necessário parar e observar. com olhos abertos e mãos estendidas.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

.55

Pois é, o penúltimo exame está aí a chegar. Os efeitos já se vêem. O primeiro é a preguiça que em dois dias se tornou elástica e anda a perseguir-me. O segundo é o nervosismo que me aparece minuto sim minuto não. O terceiro é todos os dias olhar para a agenda e riscar menos um dia. é verdade. o exame está aí a chegar e não me apetece nada estudar. não quero. não quero mesmo. o meu não querer sempre foi mais forte do que o querer. e portanto, temos o não querer estudar a fazer frente ao querer despachar esta porra. mas alguém que me diga quem é que inventou um estágio de quase três anos?? quem? Denunciem que eu vou lá e bato tanto tanto. ando com excesso de energia. excesso de energia e preguiça não coadunam entre si. cada qual puxa pelo seu lado. ainda estou para ver qual o mais teimoso. ontem à tarde deveria ter sido tempo de estudo. devia, pois. foi durante 1h (estarei a exagerar?). É ver gente nova a ocupar as mesas dos cafés a estudar. lembra-me quando eu era estudante. mas agora trabalho. sou adulta. detesto esta palavra. dizia e bem o meu querido Pedro Paixão "vida de adulto". não gosto. sinto-me mais velha. não gosto. estou perto dos trinta. não quero. que coisa isto de fazermos anos. ando nostálgica com esta coisa da vida de adulto e das responsabilidades e do fazer pela vida. acho que se pudesse ficaria a vida inteira num quarto arrendado. seria tão bonito. a vida metida num quarto, e os anos a passarem. e a esmiuçarem o pouco de paciência que resta. quero esplanadas durante o verão todo. é isso que quero. e ler um livrinho sem ser de direito. esplanadas, sol, sandálias, e boa conversa. e caipirinhas! sim. não gosto de pontos de exclamação mas não se pode dizer caipirinhas sem acompanhar com um !. fica mais bonito. e emocionante. há dois fins-de-semana que não saio. faz-me mal não sair. nunca pensei admitir isto. eu que fui bicho do mato durante anos. agora não. agora apetece-me é gente e música e dançar. e alcool. e festas. é. ando assim. viciada no movimento da vida. mas primeiro preciso de fazer o dito exame. também vão escolher o verão para realizar o exame?? não podia ser depois??? estou a atrasar o meu bronze. e os meus mergulhos. caramba! este texto é uma mistura de várias coisas. eu sou uma mistura de várias coisas. estou desconcentrada. o verão apoderou-se de mim. ele já chegou? nunca sei muito bem quando é que mudam as estações. não quero saber também. eu sinto que já é verão. portanto, é essa a sentença. ando muito jurídica. noto cada vez mais quando falo. escrever, nem tanto. mas a falar sim. esta profissão é assim. tem tendência a meter-se nas outras áreas da nossa vida. lembrei-me agora que não como sushi há muito tempo. preciso de sushi. acho que preciso de tanta coisa que me perco. será que estou perdida? perdi as rédeas? estou louca? ai a crise existencial vem em boa altura. tenho que estudar. vou ter de estudar em esplanadas. senão não consigo. estudar em espaços sem barulho é deprimente. ou sou eu que ando deprimida. não, não creio. acho que me sinto livre. primeiro senti.me vazia. agora é livre. a sensação é dúbia. existe algo no nos sentirmos presas que me agrada. que me puxa. e invade. invadir. quero sentir-me invadida. de coisas boas. é isso. é o que me apetece agora. chega de sentimentos angustiantes. chega. a porta está a abrir. estou quase de novo lá fora. estou quase. estou quase a libertar-me. ou não. mas vá o primeiro passo é convencer-me que sim. que estou a um passo.