sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Ida e volta.



Londres, a cidade escolhida para eu fugir por uns dias. Desencontrar-me e encontrar-me. Dizem que no frio é mais fácil. Eu acredito dentro da pouca fé que ainda existe.

Na inércia da despedida, a ilusão de que tudo estivesse diferente ao meu regresso.

Até já.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

.12

Pergunto-me: Existiu algum momento em que as coisas foram fáceis?

25 anos. Cheguei ao mundo real aos 16. Já aqui estou há 9 anos. Não me lembro de ter atravessado o que quer que fosse de forma facilitada. Lembro-me bem dos pedregulhos no caminho, dos sinais proibidos, das curvas nauseadas, das palavras invertidas, das vezes em que pensei desistir. Mas não me recordo de alguma coisa ter sido realizada sem o peso. de forma leve, calma, em paz comigo e com quem iniciou algum trajecto comigo.

Estará a chegar ao momento, em que tenho de assumir que a culpa é minha? Que fiz tudo ao contrário? Que dificultei o fácil por menosprezar o que me é dado sem obstáculos? Acaso, a resposta seja afirmativa. Como voltar atrás? Ou melhor, como desenhar novos trajectos. Como aceitar sem questionar? Sem acrescentar nós? Como dar o passo sem pestanejar? Não sei. Nunca o fiz. Duvido da minha capacidade para mudar. Duvido que se assim o fizesse, continuaria a ser a mesma pessoa. Logo eu, que sou quase-perfeita.

Terei perdido eu a capacidade de me deixar surpreender pelas coisas bonitas da vida? Já estive mais longe. Isso eu sinto. E sei-o.


Mas não, de uma forma ou de outra, eu nunca serei um caso perdido. Serei mais como um tesouro daqueles já raros no meio de um oceano qualquer.

Got it?


domingo, 29 de novembro de 2009

F




Enquanto houver estrada para andar...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

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Pensamento do dia,
de mim para mim:


Uma vez pode ser engano, ilusão, má percepção das coisas. Duas vezes é burrice.

Devias ter sabido melhor, Narcisa.

Strike two. Agora tens dez anos para não te foderes a ti própria, uma vez mais.


P.S. Para quem acha que eu sou implacável, desumana, insensível - Eu também sinto. Eu também sofro. And fuck you too.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

.10

Os dias tem amanhecido de forma diferente. O cansaço é apenas físico. Já não mói. Já não me faz querer invocar que as horas sejam mais pequenas e que terminem no mesmo instante. Não, os dias agora são outros. O stress fica apenas no trabalho. Mesmo que termine a horas para mim já tardias. As manhãs, as noites e as madrugadas agora têm outra voz, a tua.

É bom ter-te comigo. Mesmo que a nossa teimosia, por vezes, nos faça esquecer o que nos une. O que nos faz querer ficar aqui.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

.9

Existem dias de nevoeiro interior. De frio ancorado nas mãos como que a anestesiar a revelia de passos certos. Das noites de onde nascem estes dias, crescem-me nós. nós de permanência robusta sobre os fios gastos do meu coração.

Já te espero em qualquer lugar desta cidade. No caminho adormecido para o escritório. Enquanto fumo à janela. Nos leves minutos que antecedem o sair da cama, como se o teu corpo baixinho me dissesse para eu não ir ainda. porque a noite não foi suficiente para matares as saudades todas. No final do dia, por ser a altura em que melhor me sabe respirar fundo, procuro chegar até ti. Para que finalmente a minha boca possa confundir-se na tua. E reconheças o espaço em que me situo como imprescindível ao teu bem estar.

Estou a começar a caminhar. Estou quase a chegar.
E tu?




segunda-feira, 19 de outubro de 2009

12

E se um dia eu não souber reconhecer o som inócuo que o coração faz quando se abriga num outro.

Se eu não souber aceitar um gesto teu por achar que todos os gestos estão contaminados e não são puros. Gratuitos. Sentidos.

Se eu duvidar de todas as palavras que encabeças na tua bocas. Por já me dizerem tão pouco. Por tantas vezes, terem sido objecto de repetição e falsidade. Pelo seu uso impróprio. Por estarem de tal forma gastas que me soam a vulgaridade.

Se não souber aceitar quando me pedires em namoro porque estarei convencida que o fim está para breve e não valerá a pena o encetar de algo mais sério. Porque o fim está para breve, entendes?

Se eu tiver um ataque de raiva no momento em que disseres que é amor o que sentes. porque o amor passou a ser apenas um jogo que todas as pessoas, em alguma altura jogam, ou pensam que jogam. sendo apenas um círculo vicioso onde se amontoam os participantes, os gestos, as palavras. tudo se repete. o amor deveria ser aquela estrada que nunca está perto de estar terminada. porque existem sempre pormenores a rever. melhorias a efectuar. mas não. o amor é a IC 19 ou a 2º circular em hora de ponta.

Se todos estes "se" se concretizarem, não me odeies. não desfaças o que valor que tenho. não dramatizes. nem penses que é algo contra ti. ou contra o que dizes que se move por dentro de ti. porque não é. só preciso que saibas que por mais que eu tente combater esta reminiscência do que está para trás, não consigo. moldou-se. aniquilou qualquer semente que o amor poderia fazer nascer em mim. porque o amor deixou de ser o amor. passou a ser uma das estradas que percorro quando preciso de ir ao IKEA.

Se.


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

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"You don't recognize the biggest day of your life not until you're right in the middle of it. The day you commit to something or someone. The day you get your heart broken. The day you meet your soul mate. The day you realize there's not enough time because you wanna live forever. Those are the biggest days.. the perfect days."


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

.7

Desgastei-me neste chão de incoerências. Sou-me de uma violência feroz. Destemida. Quase que eloquente. Sou-me ainda nesta travessia pelo Tejo. Por entre os restos dos dias, no meio de pessoas, processos, aquedutos antigos de palavras.

Ainda me consigo rir como uma criança e aprendi a melhor amar nas pequenas coisas. Nas que por pouco interpretamos como insignificantes. É aí que encontro o meu recobro do amor.

Por vezes, esqueço-me de como é bom ter quem nos dê a mão mesmo que não o peça. Mesmo que me convença que sozinha irei vencer. É bom saber que o bom que guardo é tão devido àqueles que são o meu círculo de aço.

Por me relembrarem o que sou e de que sou feita. A vocês um obrigada.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

.6

A verdade é que eu vejo-te. Ao contrário de ti, que vês-me a teu lado e não notas. Não notas como eu poderia ser mais na tua vida. Depois de tantos anos, continuas a não notar.

A tua falta de atenção irrita-me. Se tivesses atenta, saberias.

Eu poderia abrir o jogo, claro que sim. Poderia fazer tanta coisa. Mas este é um campeonato que eu vou sempre perder, portanto, não me arrisco.

By the way, és mesmo estúpida.