"Se vejo uma rapariga a apaixonar-se por mim, tiro logo a conclusão acertada: “Olha que pena – mais uma que deixou de gostar de mim.” Faço tudo para dissuadi-la e fujo, mesmo que não seja preciso. É que as pessoas primeiro apaixonam-se, depois amam e, não tarda nada, começam a querer ser amadas também. Porquê? Que não lhes satisfaça só gostar, ainda percebo. Agora que não lhes chegue amar… é inaceitável. Para este género de pessoas, a ingratidão e a gula não têm limites. Quando sofrem, culpam-nos. E, pior ainda, quando estão felizes, atribuem-nos a responsabilidade. No fundo encostam-nos à parede, como quem diz “Estás a ver? Tudo depende de ti.”
Quanto menos depender de mim, melhor para todas as partes envolvidas. Só há uma coisa preferível a ser independente – é ninguém depender de nós.”
Miguel Esteves Cardoso