sábado, 18 de julho de 2009

A manhã de Sábado.

Poderia dizer que quando fosse grande gostaria de ser como as minhas colegas de casa. São cheias de dotes. Arranjam as suas mãos, os pés, tratam da sua própria depilação. Fazem bainhas. Lavam a casa. Tratam da roupa. Tudo perfeito. Tudo bonitinho. Pois bem, eu terei outros dotes mas estes nem de perto. Portanto, há que tratar das lacunas da nossa vida.

Assim, se não sei arranjar as minhas mãos, pés, sobrancelhas, buço (esta é uma daquelas palavras lindas lindas), e todo o resto, vou à minha esteticista que para além de competente é uma giraça e tem sempre bolachinhas para mim.

Depois temos o tema da roupa. Sim, já aprendi a por uma máquina de lavar a funcionar e de facto, não é nada difícil. Mas engomar????? E são os produtos que ajudam a engomar, e depois é preciso montar a tábua?? E depois colocar água no ferro. Hein?? Não. Não tenho paciência. Parece-me tudo muito complicado. E por existirem tantas pessoas como eu, inventaram-se as lavandarias. Yupiiiii! Portanto, vem a senhora da lavandaria buscar a roupa á segunda e devolve na quinta. Quase perfeito.

Mas ainda existe a questão do limpar a casa. E há o aspirador. E a esfregona. E produtos para uma coisa e para outra. E folhas de jornal para os vidros. E pó, Meu deus, tanto pó. E portanto, uma vez por semana a casa tem de ser limpa. Chegou a minha vez de limpar. Pânico. A minha colega S. resolveu enviar-me um mail com tudo explicado passo a passo. Mas não resultou. É complicação a mais. A primeira vez correu muito mal. E comecei logo a imaginar as vezes seguintes. E os suores frios vieram. E liguei á minha mãe a pedir socorro. Até que pling, surgiu a solução: pedir à senhora que faz a limpeza do escritório, para salvar-me desta aventura uma vez por semana. Agora sim perfeito.

Mas hoje o que interessa é a parte da esteticista. Bem, a regra é que todas as manhãs de sábado são reservadas ao cuidar de mim. Umas vezes é doloroso, outras é relaxante. Mas o resultado é sempre bom. É o momento de descarte do stress semanal. Da tensão acumulada nos ombros. Do (tentar) não pensar em nada.

Hoje era dia de ser tratada como uma princesa. Para tal a manhã finalizar-se-ia com uma massagem quase integral. Cria-se o ambiente zen, com música a combinar e muito silêncio. E eu que nem gosto de silêncio.
A massagem começa, eu sinto-me nas nuvens, a pensar como a vida é fantástica e como eu mereço este mimo. Passado uns segundos a minha mente começa a trabalhar:

Ahhh isto é tão bom!! Mas que vou fazer a seguir? Precisava de comprar velas. Talvez devesse ir ao Allegro. Mas deve estar cheio de gente. Se calhar, vou mas é ao chiado com o jornal e as revistas, sentar-me numa esplanada. Ou poderia ir à praia. Iria saber mesmo bem! ahh mas sinto-me tão cansada, se calhar o melhor é ir para casa dormir a sesta. Oh mas que perda de tempo! Já sei vou ligar à amiga x e vamos dar uma volta. Seria tão giro! Talvez ao chiado, ando há tanto a tempo a namorar a máquina da Nespresso. E poderia depois comer um gelado. E apanhar sol e conversar imenso. Não sei. Se calhar não é bem o que me apetece. Ai!

- Narcisa, gostou? Conseguiu descontrair? Estava extremamente tensa.
- Hum? Hum? Já acabou?

E isto é a minha vida. Ter oportunidade para descontrair e já estar a pensar no que irei fazer no depois. Eu até a dormir devo pensar. Se calhar, pensar é como respirar. Sim, deve ser por aí.

Saí irritada da minha manhã perfeita e o que decidi fazer?

Bem, ir para casa e dormir a sesta.






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